domingo, 12 de julho de 2009

As pérolas de Max Nunes

Max Nunes nasceu no Rio de Janeiro, em 1922. Médico, acabou se tornando um dos maiores humoristas brasileiros. Criador do famoso programa "Balança, Mas Não Cai", da década de 50, na Rádio Nacional, passou, também, pelo Diário da Noite e Tribuna da Imprensa. Hoje, é um dos produtores de Jô Soares. As pérolas abaixo foram extraídas de "Uma Pulga na Camisola - O Máximo de Max Nunes", da Companhia das Letras, de 1996, com seleção e organização de Ruy Castro.

As pérolas de Max Nunes... (ainda atuais)

"Era tão azarado que se quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar-se nele".

"A prova de que o balé dá sono na platéia é que os artistas entram sempre na ponta dos pés".

"Não é que as moças de hoje sejam mais bonitas. É que as de ontem já deixaram de ser".

"O caqui não passa de um tomate diabético".

"Quem pede a palavra nem sempre a devolve em condições".

"No Nordeste, a seca é tão braba que são as árvores que correm atrás dos cachorros".

"O jipe é o maior esforço feito pelo homem para chegar à mula mecanizada".

"O casamento é como a pessoa que quer tomar um copo de leite e compra uma vaca".

"O casamento é o único jogo que acaba mal sem que ninguém ponha a culpa no juiz".

"Os homens casados se dividem em três categorias: os polígamos, os bígamos e os chateados".

"Com as ruas esburacadas desse jeito, é preciso ser muito virtuoso para não dar um mau passo".

"O difícil de confundir alhos com bugalhos é que ninguém sabe o que são bugalhos".

"Já tinha oito anos e não bebia uísque, não dançava rock e não fumava maconha. Era um retardado mental".

"Democracia é aquele regime pelo qual qualquer cidadão pode ser presidente da República, menos eu e você, naturalmente".

"Duplicata é uma coisa que sempre vence. Nunca empata".

"Houve um tempo no Brasil em que ninguém tinha dinheiro. É hoje".

"Há casais que se detestam tanto que não se separam só pra um não dar esse prazer ao outro".

"O eleitor, obrigatoriamente, tem que ser qualificado. O candidato, não".

"Algumas mulheres são tão feias que deviam processar a natureza por perdas e danos".

"Quando a mãe informou aos filhos que ia conferir um prêmio ao mais obediente da casa, todos gritaram ao mesmo tempo: ´É o papai!`".

"Ah, o que seria do governo se o povo pudesse falar pela boca do estômago!"

"Já foi o tempo em que a união fazia a força. Hoje a União cobra os impostos e quem faz a força é você".

"A prova de que tudo subiu de preço é que até uma coroa já é cara".

"Uma camisa nova tem sempre um alfinete além daqueles que você já tirou".

"Opinião é uma coisa que a gente dá e, às vezes, apanha".

terça-feira, 7 de julho de 2009

Fora da lei

Cópia do novo modelo de diploma de jornalista dado por qualquer um. Picasso está querendo regulamentação

Imagine, apenas imagine. Algum dia, em certo lugar, em nome da liberdade, alguém sem frequentar qualquer curso de Medicina resolvesse, por exemplo, realizar cirurgia cardíaca. Imagine, ainda, que o argumento fosse o da igualdade de direitos, nesse caso o de ajudar o próximo. E, como argumento, frases feitas. Claro que a lei que estrutura a vida social estaria sendo suprimida.
É exatamente ela, a lei que diferencia os homens dos animais. Se assim não fosse, qualquer estudioso e simpatizante do Direito poderia ser juiz, desembargador ou advogado em nome da liberdade. A existência do Sujeito como cidadão e sua saúde depende, insubstuivelmente, da relação com o semelhante, os outros. Não se concebe uma língua que apenas uma pessoa fale ou uma religião que só uma pessoa professe.

Mas, como sabemos, nada é tão ridículo que não possa ficar ainda mais. Eis que instâncias supremas e superiores resolveram acabar com o jornalismo em sua tradição. É sempre bom lembrar que a palavra “tradição” vem do latim "tradirae", isto é, trazer. Então, o jornalismo deixou de ser uma profissão para que possa ser exercida por qualquer pessoa, pelo que vemos acontecer, de interesse do poder.

O jornalismo incomoda, sempre haverá de incomodar. Notícia deve incomodar alguém em algum lugar, o resto é propaganda. A tarefa maior de qualquer ditadura, é impor a censura. Agora, cria-se a censura sob a forma de desativar através da desorganização. Acabou-se a lei, a necessidade do diploma.

Ninguém neste pais, desde que se instalou a democracia, sofreu restrições ao pensar e escrever o pensar para justificar mudança radical. Ser jornalista ou não, é uma questão técnica do “como fazer” pertinente a qualquer profissão. Este cala-boca vem sendo tentado há anos.

Ora vejamos: a república das falcatruas oficiais, dos palácios roubados, dos enriquecimentos ilícitos, das nomeações secretas, resolve desorganizar a imprensa. Por que será? Não seria novidade se fossem criadas cotas para o número de profissionais nas redações, que ocupariam, assim, o único espaço verdadeiramente democrático que chegou com fim da recente ditadura. Desorganizar para desativar.

Imagino que as redações ficariam cheias de porta-vozes oficiais, que acabariam de vez com as incômodas denúncias cotidianas praticadas por quem deveria. E não, da imprensa. Falta muito pouco para que os jornais sejam escritos por jornalistas chapa-branca ou assessores de imprensa. Será a apologia do caos.

Caros senhores ditadores de todos os matizes, o Brasil não lhes pertence. De vez em quando, de uma forma ou de outra, se lança um cala-boca na verdade. Seja pelas armas, seja por decretos ou leis como esta. A psicopatia – distúrbio patológico psíquico, ligado ao descumprimento da lei – pouco a pouco se apodera do imaginário social do país.

domingo, 5 de julho de 2009

E agora?


A cara do outro

O pseudo-neo-realista superintendente da Coreia do Norte, nomeado sem publicação no Diário Oficial, Chico César, juntamente com o filho de Sarney, conhecido mundialmente como o cara mais feio do mundo, considera que a mídia jamais discute a questão principal sobre os artifícios nucleares.

O que é realmente importante?

Saber quem tem ou deixa de ter uma bomba atômica para jogar nos outros ou porque uns tem e outros não têm?

O presidente precisa fazer uma profunda investigação sobre o assunto...

Mermão, meu personal flanelinha


Mermão e sua esposa, Etelvina
Ele me trata de doutor. E eu de o chamo de Mermão. Todos os moradores do prédio o olhavam com desconfiança, só porque, digamos, na falta de férias e sequer trocados, costumava veranear no confortável complexo penitenciário.

Ninguém sabia quem era Mermão, que pairava de flanela em punho pela rua fazendo... O que é mesmo que eles fazem? Expliquei para a moradora do 20ª andar, codinome Trombeta do Apocalipse, porque só dá notícia ruim, sua situação social e pedi sigilo. Em seguida, claro, espalhou para todo mundo, como era no fundo a minha intenção.

Para compor o quadro dentro da inevitável normopatia – a patologia da normalidade - arranjei uma sigla bem americana para tecer seu currículo: “Trata-se do meu “TCMC” (Took Care of My Car.

“Ainda bem", soprou a senhora Trombeta. "Pensei que era um desses meninos de rua”. Mal sabe ela que meu distinto confrade já é avô de rua: nasceu na rua, seu filho também e, agorinha mesmo, o neto. Toninho Pano de Prato já tem 15 anos.

Pois bem. A entidade em questão, munido apenas de um pano – “flanela só no Natal doutor” – exibe o milagre da multiplicação das vagas. Não me perguntem como, mas jamais deixei de estacionar bem em frente do meu lar por falta de vaga.

O imposto que cobra, corresponde, e muito, ao trabalho, Explica tudo no plural para dar mais ênfase, acho:

“Os pessoais pensam que nós tamos aqui para trambicarmos”

“Entendi Mermão. Corre que vai saindo uma Mercedes sob tua jurisdição, aviso.
Cascateiro de responsa, desses de fazer inveja ao Lula, dirige magicamente as vagas à beira da calçada que parecem mover-se à sua vontade.

A nobre categoria respeita religiosamente as áreas de cada um. Jamais, desde que o mundo é mundo, houve uma única guerra por questão de espaço vital entre as ruas Afonso Cláudio e Chapot Presvot, dois países amigos e organizados. E olha que eles são chamados nas páginas policiais de artefatos de extermínio em massa.

Ao contrário da ONU que impede os países de se organizarem de verdade, organizando de mentirinha, os flanelinhas de nossas ruas têm seu código de ética e protegem os carros.

Mermão me contou que apareceu um suspeito - o que é suspeito mesmo? - querendo informações, coisa e tal, "com maleficências de intencionalidades". Sempre no plural, explicou-me que “se eles querem, vamos dizermos assim, se darem bens, que se arrisquem nas paradas com os homens e se arrisquem-se.

Leitores é que Mermão já fala pela nova ortografia (Meu Deus, o presidente não aprendeu nem a antiga). Quis dizer que espantou o meliante para fora das cercanias.

Agora, querem regulamentar Mermão.

Ligou o interfone e jogou suas lágrimas, sempre no plural:

“Doutores, essas ideias de regulamentarem as nossas profissões, pinta os maiores medos. Eu não confiaria minhas flanelas para eles tomarem conta”
Respondi que isso era um exagero, e que nossos edis estavam tentando organizar a cidade. e coisa e tal.

- O que são edis doutores?

- Mermão são pessoas plurais.

Vou parar porque Majestic, meu cão de estimação, está comendo a Folha de São Paulo que acabei de comprar.

- Já para fora animal, antes que uma telefônica veia para cá te oferecer um plano especial.

Cartas Anônimas

Gancho: grande capitão do Tri



Saúde Mental (por Rubens Alves)

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar e me arrepender.

Percebi que nada sabia. Eu explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental, rica e excitante. Pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma: Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei.

Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski, suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado.

Nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa.

Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes, em passarelas, pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas. Sinto que meus pensamentos podem parecer de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.

Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas, chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra, denomina-se software, "equipamento macio".

O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito, como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais" , sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou.

Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal.

Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas. Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco?

Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som? Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover? Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção?

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou. Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o funk pode ser tomado à vontade. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento.

Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato

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Seguindo essa receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E ao invés de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.

Estético


O grego Sócrates, assim como Adão, não tiveram sogra nem caminhão, mesmo assim filosofaram

Desde a morte de Michael Jackson não via um título com tanto talento no jornalismo. O Newsweek mandou ver o seguinte título sobre sua morte: "Finding Nerverland" (uma espécie de "Chegando à Terra do Nunca". Genial.

Quer mais?

David Gates, autor da matéria, começa assim (...) Antes dele vieram Frank Sinatra, Elvis Presley e os Beatles. Depois dele não veio mais ninguém"

Que ler a reportagem completa? http://www.newsweek.com/id/204296


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pérolas



De Fonseca, meu amigo idiota: